Vicarious Liability
segunda-feira, novembro 13, 2006
  Alegre e o referendo irrelevante

Sem grandes surpresas o XV Congresso do PS! A aclamação quase unanime de Sócrates (depois de um resultado na mesma linha nas eleições directas para secretário – geral) e os discursos amargos de Manuel Alegre e Helena Roseta, unidos até ao fim, na curiosa tarefa de fazer uma oposição interna responsável mas incoerente, integradora e irrequieta.

Defender que o partido deve usar a maioria parlamentar para despenalizar a IVG na AR, em caso de vitória não vinculativa do “não” no referendo, parece-me a proposta mais despropositada, de entre o conjunto de comentários na mesma linha que têm feito nos últimos tempos. Despropositada e reveladora de pouca consideração pela opinião do eleitorado. É que afinal, em termos muito simples, isto não é mais do que reduzir o referendo – um instituto que se pretende poder sedimentar a prática da Democracia Participativa – a uma mera interrogação retórica sem qualquer valor político: se disserem que sim, alteramos a lei; se disserem que não, alteramos na mesma, porque nós é que temos a maioria e o “dever histórico” de a fazer valer.

Acredito que todos os referendos, independentemente de contarem ou não com a participação eleitoral suficiente para despoletar um procedimento legislativo, são politicamente vinculativos. Porque essa é uma manifestação imprescindível de consideração que a Democracia dá aos que nela participam, aos que estão interessados, aos que saem de casa para dar opinião. Quanto mais não seja, é uma garantia de participação popular, a garantia de que, os que se abalaram até às urnas, não preferirão, da próxima vez, ficar no sofá a ver televisão, ou passear pelos corredores apertados de um Centro Comercial.

É que ninguém gosta de ser actor de numa peça onde o seu papel é completamente irrelevante.
 
Comentários:
Referendo, congressos, opiniões... tudo está bem quando concordamos todos!
Quando pensamos de modo diferente, tudo se complica, mesmo quando a ideologia política é (mais ou menos) a mesma!
De qualquer forma penso que cada um deve dar a sua opinião e esta poderá ou não ser aceite.
Se me provarem que a minha ideia está errada, ou que é impraticável, aceito a opinião dos outros!
Afinal, ninguém é dono da verdade, ninguém é perfeito!
Marianne
 
Creio que o teu comentário só em confirmar o que sustento no post. Se todos temos direito a dar a nossa ideia, também temos direito a que ela seja tida em conta, e não sirva apenas para "inglês ver". Se se fosse aceite a proposta do M Alegre seria isso que aconteceria com o referendo: nós votavamos, mas os deputados da maioria, no parlamento, decidiam como queriam na mesma (claro, no caso do referendo não ser vinculativo).

Ora, não me parece que isso estimule muitas as pessoas a participarem em referendos ou noutros tipo de mecanismos deste género
 
errata:

em - vem

noutros- noutro
 
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