Teoria da Media Via
A maioria das correntes de pensamento, das perspectivas polarizadas de encarar um determinado tema, têm uma coerência teórica impressionante, uma articulação que incentiva ao debate e à dissertação; mas invariavelmente revelam um profundo divórcio da realidade, ou antes modelam-na de uma forma demasiado radical para conseguir qualquer equilíbrio.
Alguns exemplos são conhecidos: a esquerda e a direita no campo político; o positivismo e o anti-positivismo na Filosofia do Direito; o racionalismo e o empirismo na epistemologia a propósito da origem do conhecimento; o socialismo e o capitalismo; a monarquia e a república; a Democracia e o Despotismo…
Dificilmente se pode optar por uma delas sem deixar de considerar as premissas que sustentam a outra, nenhuma está imune de críticas nem pode, fora da sua consistência teórica, apresentar-se como uma exposição impoluta da verdade, em todas as suas vertentes e dimensões.
A coerência ensina-nos a evitar os radicalismos, impregná-los de razão, a afastar os excessos, ou pelo menos a colher de cada um deles os aspectos acertados, e depois reuni-los numa miscelânea teoricamente incongruente mas sensata, táctil, conforme à realidade.
Não existe bem ou mal, honestidade ou deslealdade, cinismo ou sinceridade, intimidade ou distância. Porque as pessoas não são assim, não são unidimensionais, e por isso não as podemos rotular a partir de conceitos tão simples, não podemos perceber o mundo vendo-o apenas de uma perspectiva ou arriscamo-nos a “passar ao lado” da vida.